Samba

Ontem assisti, pela segunda vez, o filme com Omar Cy, lindo, lindo, lindo como um leopardo negro. Depois do filme me peguei pensando nos muitos caminhos que existem para sobreviver à desaprovação alheia. Criei uma personagem, certa feita, que era um poço de desaprovação. A mulher de Natan no meu livro “A rainha que atravessou o tempo”. O que me chamou a atenção na época foi que a pessoa que mais inspirou a personagem não se reconheceu. É verdade que não foi uma pessoa só. A desaprovação é a atitude que mais conheci nessa vida. Já fui desaprovada pela minha origem, por meus objetivos, por meus amores e sempre por minhas atitudes e falas. Minha salvação é que fui protegida por um certo re

Amor e raiva

Tudo o que escrevo tem a ver com as histórias que eu vivi ou que me contaram. Hoje quero escrever sobre o trabalho que dá o amor e os perigos que o rancor e a raiva trazem a quem ama. Vou começar pela história de uma mulher que eu admirei muito e que fez de tudo para não se envolver numa divergência de família. Ocorre que de um lado estava uma pessoa do seu próprio sangue e do outro uma aliada. Quando essa mulher ficou doente, a pessoa que estava no poder da família foi quem cuidou de tudo. A outra estava alijada e não pode ajudar . O resultado foi uma morte horrível e desnecessariamente dolorosa. Durante anos a aliada havia sido a única pessoa a cuidar da mulher valorosa em momentos deci

Errata

Eu, provavelmente, li John Steinback em excesso. Isso deve explicar o tempo que levei para entender toda a dimensão das pessoas que só fazem o que bem entendem. Pessoas que, na vida, agem como Kathelen Stark. Ou como Cathy Trask. Porque em A leste do Éden ou nas Crônicas de gelo e fogo, pessoas foram fonte de inspiração. O mais difícil, eu acho, é entender a gradação. Porque uma coisa é alguém realizar o desejo. Como Tyron ou McNuty, em The Wire, realizam. Assumindo as consequências, se interessando pelos outros. Bem diferente é ser voluntariosa quando a vida de reféns está em jogo. Domingo escrevi aqui sobre minha tendência a não colocar meus interesses e sentimentos como prioridade. O

Beijinho no ombro (no meu)

É uma coisa bem gratificante trabalhar no que é nossa verdadeira vocação. Passei anos de minha vida administrando dores e fraquezas de pessoas em relação as quais eu me sentia mais forte ou mais preparada para suportar adversidades. Passei alguns anos tentando contribuir para projetos profissionais com pessoas que não buscavam minha colaboração, ao contrário, eu a oferecia. Fiz esses dois movimentos – dos quais não me arrependo – enquanto não me dedicava integralmente ao que realmente me faz mais forte. Contar histórias. Ser escritor (de romances, de séries, de filmes) é se expor à rejeição e a maioria das pessoas tem a sensatez de não procurar situações em que possam ser rejeitadas. A c

Personagens

O que para mim é apaixonante em personagens é que eles são reais. Coerentes, consistentes, vivos. Ao contrário das pessoas que são, muitas vezes, máscaras construídas por amadores, nem sempre bem intencionados. Por isso, a gente se machuca o tempo todo. Porque acredita na ficção ruim de pessoas de carne e osso. Inclusive na ficção improvisada por nós escritores, no dia a dia. Sábado, 04 de julho, dei aula na Escola de Séries sobre criação de Personagens. Fiz a partir de quem entende. Sófocles, Shakespeare, Steinbeck, Nora Ephron, Vicent Gillingan. Os participantes estiveram no Seminário Internacional de Séries que se encerrou na quinta anterior e a animação estava alta. É bom passar oito

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