Downton Abbey

Estive assistindo a temporada final dessa serie inglesa da qual já gostei mais. Notei que endireito minhas costas quando vejo as personagens e tomei consciência, de novo, da falta total de modos em que estamos mergulhados. As paixões e fraquezas humanas não mudaram de 1912 para cá. O que mudou foi a maneira pela qual as paixões e as fraquezas se manifestam. Naquela época, manter a “linha” a “elegância” eram valores importantes. Detesto quando perco a linha, o que acontece cada vez menos. Explico: tive a sorte de conviver com uma pessoa que se comportava mal, mas não perdia a linha e dificilmente era deselegante. Mais, era um primor de auto indulgencia, mas não acusava os outros pelos maus f

Poder e sedução

Assisti um dia desses uma história sobre o peso das profecias familiares na vida das mulheres. De algumas mulheres fortes. Eu não conheço mulheres fracas. Conheço muitas equivocadas, algumas sequeladas, e pouquíssimas destruídas. Mas fracas, não. No que diz respeito ao matriarcado consciente, as mulheres ensinam o que sabem e as mulheres jovens aprendem o que têm talento e gosto para aprender. Não existe essa história de que todo mundo é capaz de aprender tudo. É preciso alguma predisposição. Engraçado nesse filme, “Joy”, é que a avó – a mentora – não ensina à filha ou às netas as artes da sedução. Ensina a amar a família, a ficar junto dos seus, a relevar defeitos dos seres amados, a prote

Uma relação pornográfica

é o nome do filme francês onde uma mulher escolhe num anuncio pessoal um homem para se encontrar só com objetivo de realizar uma determinada fantasia. E dá tão certo que eles passam a se encontrar sempre. Só para sexo. É claro que chega um dia em que as coisas ficam um pouco mais complicadas. Existem pessoas que entendem e conseguem levar o sexo casual sem tirar pedaço dos outros e sem perder pedaços no caminho. Talvez um numero menor de mulheres do que de homens. Tenho um amigo que foi o maior administrador de relações baseadas em sexo casual que já vi na vida. Provavelmente, magoou algumas mulheres, foi magoado por uma ou outra, mas de uma maneira geral, foi (ou ainda é) um especialista. E

Spotlight

O cinema argentino, com o Clã, e o norte-americano, com Spotlight, mostraram, mais uma vez, como é possível contar histórias reais, só contando as histórias. Sem desviar do assunto, sem inventar teses sociológicas para o Silêncio dos grupos enquanto o massacre está acontecendo. Sem arranjar desculpas para os crimes individuais. O mais importante, no entanto, é constatar, mais uma vez, como um bom roteiro é aquele que não cai em tentação de desviar da storyline que foi proposta. Em Spotlight, nada de problemas domésticos dos apuradores, transas dos apuradores, detalhes da dura trajetória dos mutilados. Poderia trazer essas situações se a história fosse outra. Mas o filme é sobre uma história

O amante japonês

As pessoas pensam que vulnerabilidade é se deixar ferir, abater pelo amor. Qualquer um, indistintamente, pode ser ferido ou abatido pelo amor. Só não se deixam abater pelo amor aqueles seres humanos que são abatidos antes por drogas, doenças, desejo de poder, apego às convenções, inércia. Penso que vulnerabilidade é outra coisa. Pessoas mais confiantes, mais doces, mais inquiridoras, mais conciliadoras se tornam vulneráveis com maior frequencia, observo. É como se a demonstração dessas características funcionasse como um atrativo para predadores. Pessoas mais insistentes, mais controladoras, mais vaidosas também. Já vi tanta gente forte perder pedaços no afã de insistir em convencer ou cont

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