Jovem que late

Sábado, no Restaurante Dois em cena, no Rio Sul, assisti a um rapaz latindo contra uma mulher que aparentava idade suficiente para ser mãe dele. Podia não ser mãe, podia ser tia, madrinha. Ele latia sobre alguém (um irmão, um primo, alguém em quem a mulher acreditava) que ia se fuder, se viajasse para o exterior, e a mulher tentava ponderar em voz baixa, alguém deve ter ensinado a ela que com maluco não se grita, e ele slapt, slapt, metaforicamente, na cara da mulher. Eu troquei de lugar rápido, pulei uma mesa, mas ele continuou latindo. E ela quase rezando de tão baixo que falava. O rapaz era louro, parecia classe média, estava vestido de bermuda, camiseta, sandálias havaianas, pulseirinha

Almodovar

Almodovar Assisti Julieta e me peguei pensando como algumas pessoas muito legais são ressentidas, competitivas, injustas. De nascença? Por contagio? Aprenderam? Quem vai saber o que leva um ser humano a fazer maldades? A retaliar por feridas reais ou imaginárias. Eu não sei, acho que ninguém sabe. Por isso, alguns, reconhecida a própria ignorância das causas, se limitam a contar as histórias. Como faz Almodovar em Julieta. O filme mostra como o ressentimento é uma emoção ativa. É sempre contra alguém. Não é raiva, não é vingança, não é justiça. É punição, é manipulação da culpa do outro. O pior de tudo é que o ressentimento leva os ressentidos para armadilhas de onde, muitas vezes, só sae

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