Oriente Médio: hybris e caos

Assisti, no último fim de semana, Fauda. Em árabe quer dizer Caos. Fantástica. É mais do que o romance A garota do tambor de John Le Carré e, quem me conhece sabe, este é o maior elogio. Fauda é melhor do que Homeland, melhor do que Ray Donovan, American Crime, melhor do que True Detective, na primeira temporada. Só não é melhor do que The Americans ou River. É tão boa quanto. A série me lembrou a Ilíada, de Homero, com a permanente renovação da desgraça próxima. Em vão, alguém tenta jogar água na fervura. Vai sempre aparecer um pobre coitado enfurecido, ressentido, rancoroso ou, simplesmente, magoado que vai detonar com as chances das pessoas ficarem em suas casas vivendo em paz. Fauda t

Sem data de entrega

Conheço algumas mulheres que são territorialistas. Em relação aos filhos, aos maridos, aos amigos, ao trabalho. Para chegar perto das pessoas ou das atividades dessas mulheres, é preciso estar em suas graças. A minha sorte (e a delas) é a lembrança da prostituta da história do Rei Salomão, a que abre mão do filho para não assistir a espada cortar a criança ao meio. Penso que existem mulheres de olhos verdes e existem mulheres territorialistas. Arrancar os olhos de alguém seria um crime, não aceitar o territorialismo alheio, uma burrice. Lutar contra, portanto, suicídio. Quando eu era cega (e feliz) em relação às pessoas a minha volta as atitudes não identificadas de territorialismo me divert

Proud Mary

Sou uma pessoa muito ansiosa. Filha de ansiosos. Ex-fumante. Carente profissional. Intensa. Por causa dessas características, tenho dificuldade de entender e, mais ainda, aceitar o à vontade de algumas pessoas em relação a responder email, convites, recados telefônicos ou email. Sinto a não resposta como um ato de desconsideração quase beligerante. A não resposta, com frequência, é também uma arma de poder. Como se a pessoa que não responde a email, convite, recado estivesse dizendo: sou muito importante para responder a você. Nessa vida, precisei de respostas de muitas pessoas. Até hoje luto contra minha tendência ansiosa de perguntar, me certificar dos caminhos, conferir as permissões. Est

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