Uma relação pornográfica


é o nome do filme francês onde uma mulher escolhe num anuncio pessoal um homem para se encontrar só com objetivo de realizar uma determinada fantasia. E dá tão certo que eles passam a se encontrar sempre. Só para sexo. É claro que chega um dia em que as coisas ficam um pouco mais complicadas.

Existem pessoas que entendem e conseguem levar o sexo casual sem tirar pedaço dos outros e sem perder pedaços no caminho. Talvez um numero menor de mulheres do que de homens.

Tenho um amigo que foi o maior administrador de relações baseadas em sexo casual que já vi na vida. Provavelmente, magoou algumas mulheres, foi magoado por uma ou outra, mas de uma maneira geral, foi (ou ainda é) um especialista.

Eu ficava observando (e me divertindo com) o modus operandi dele e percebia que era baseado em não prometer romantismo/compromisso e tratar as mulheres com ternura e tesão. Isso pode ser chamado de honestidade intelectual.

Pouquíssimas mulheres assumem uma relação pornográfica numa boa. É uma pena porque sexo casual ( e seguro) pode ser muito bom como provam as protagonistas de Catastrophe e Secret Diary of a Call Girl. Além, é claro, de Kalinda e Diane, Virginia Johnson etc, etc, etc.

A questão do sexo casual é que o hábito leva ao afeto, risco que nem todo mundo quer correr.

Muitas vezes, os homens (e algumas mulheres) não querem se envolver, coisa quase impossível quando a gente repete atividade prazerosas com seres humanos. Para evitar envolvimento, existem os games, os livros, as séries, o sexo solitário. Prazer a dois é difícil de abrir mão.

Escuto histórias de que homens, com muita freqüência, querem manter relacionamentos de sexo casual na maior falta de ternura e elegância quando as mulheres estão vestidas. Como o Lord de Downtown Abbey, em 1924, que não cumprimenta a amante quando ela aparece subitamente num lugar onde está a esposa.

É como se em pleno século XXI, alguns homens, precisassem punir às mulheres com a desvalorização no trato. Justo as mulheres que fizeram um sexo gostoso com eles, sem exigir dinheiro ou casamento em troca.

Pior. Nem só os casados fazem isso, o que já seria feio, porque afinal, são eles que são casados. Mas, enfim, não se faz amante que ama de verdade de qualquer homem. Parece que mulheres, quando traem os maridos ou namorados, se comportam com mais delicadeza.

Não. Em nossos dias de Tinder, ainda existem meninos, digo homens adultos, puxando as tranças psicológicas das coleguinhas de escola (de cama). Ou dando “gelo” como eles fossem meninas de dez anos. Qual a idade mental de quem faz essas coisas?

Homens, de idade variada, dizem que mantém distancia ou tratam mal mulheres com quem saíram porque elas enxergam romance em cada transa. Fazem como profilaxia de problemas. Meu amigo, citado acima, nunca teve esse problema. Se a mulher quisesse romance, ele ficava até o momento que estava a fim, quando não estava mais, pulava fora, sem subterfúgios.

Talvez as mulheres que gostam de sexo, independente de aliança na mão esquerda ou de pedido de namoro, devessem considerar que ser livre, implica em assumir o poder. E as conseqüências de , às vezes, se magoar fazendo sexo casual com um homem despreparado para essa missão.

Quem não quer ou não sabe assumir o poder ( e as conseqüências) de ser livre, é melhor sexo com amor.

Ou pode escolher não fazer sexo a dois. Ou abrir mão, de vez, de sexo. Dizem que existem coisas melhores.

O problema é dá algum trabalho abrir mão de homem gostoso mesmo quando o cara tem mentalidade do século XIX. Ou é infantil. Ou, simplesmente, egocêntrico e mal educado.

O problema é que, às vezes, nós mulheres inventamos desculpas para aturar atitudes conservadoras, egocêntricas, infantis ou mal educadas.

O esforço de mulheres livres é o de não ser cúmplice de quem não sabe fazer sexo sem atitudes infantis ou hostis depois. Depois de se tornar cúmplice não dá para ficar se queixando “ninguém me ama, ninguém me quer, ninguém me chama de meu amor”.

Sexo, de qualquer tipo, assim como o amor, em quaisquer circunstâncias, não é para amadores. Uma pena.

Últimos textos
Arquivo