Poder e sedução


Assisti um dia desses uma história sobre o peso das profecias familiares na vida das mulheres. De algumas mulheres fortes.

Eu não conheço mulheres fracas. Conheço muitas equivocadas, algumas sequeladas, e pouquíssimas destruídas. Mas fracas, não.

No que diz respeito ao matriarcado consciente, as mulheres ensinam o que sabem e as mulheres jovens aprendem o que têm talento e gosto para aprender. Não existe essa história de que todo mundo é capaz de aprender tudo. É preciso alguma predisposição. Engraçado nesse filme, “Joy”, é que a avó – a mentora – não ensina à filha ou às netas as artes da sedução. Ensina a amar a família, a ficar junto dos seus, a relevar defeitos dos seres amados, a proteger e cuidar de todos. A ser poderosa, responsável, firme, amorosa. Matriarca. Mas não a seduzir.

Talvez esse tipo de ensinamento esteja junto com a mentalidade de que mulheres devam vencer pelos seus méritos intelectuais, profissionais, pelos valores familiares. Uma mentalidade de que o poder das mulheres – matriarcado – se mede por realizações. Não pela despertar amor, tesão, amizade. E de manter tudo isso traduzido em cuidado, bom sexo, partilha, respeito carinhoso.

A mulher que não sabe seduzir e manter a sedução depois da conquista será uma solitária ou uma vitima. Mesmo que poderosa. Mesmo que matriarca. Não será amada, protegida, cuidada por aqueles a quem der tudo. Porque as pessoas ficam mal acostumadas com o poder delas.

Como acontece com a protagonista do filme.

Como acontece com avó que morre sozinha, sem outro amor que não seja dos descendentes. Descendentes muito folgados e sem noção.

Ah, dirão alguns, antes só do que mal acompanhada. Perfeitamente. Mas uma coisa é estar em sua própria companhia por opção ou porque o mercado está em baixa.

Outra, muito diferente, é ficar sozinha porque não sabe escolher, seduzir, conviver ou largar rápido sapos travestidos de príncipes. OU rãs travestidas de princesas. Ou porque não sabem ensinar aos descendentes o cuidado com aquela que nutre.

Conheço mulheres (poucas) no poder em suas famílias, no trabalho, entre os amigos que conseguem ser cuidadas, poupadas, sem que seus comandados se atrevam a expressar ressentimento.

Eu nunca sei se elas se dão bem porque sabem seduzir (e manter a sedução) ou se aprenderam de alguma forma a dissimular o poder delas. As duas coisas, para mim, são de quem sabe fazer.

Aquelas que se dedicam horrores e depois reclamam. Ou as que ficam magoadas, tristes porque não foram amadas à altura da sua dedicação.

Talvez as mulheres fortes que não reclamam, não ficam tristes com a desatenção, a falta de cuidado se dediquem menos aos outros. Ou, se dediquem, mas não liguem muito para os outros. “Adianta?” Me perguntou uma delas. “Faço questão, não” me disse outra. “Vai substituído, gente ingrata, por gente nova” foi o comentário da mais velha a quem mostrei esse texto antes de publicar.

Eu sempre aprendo observando as observando as vitimas, mas aprendo mais observando as manhas. Existem muitas mulheres espertas entre as mulheres poderosas.

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