Bebi, Liguei, Parei no seu colchão


Existem pessoas que se orgulham da ser coerentes. Eu sofro da qualidade contrária. Sou do tipo de gente sem coragem para dizer não.

É por isso que Marília Mendonça faz sucesso. Como os Beatles fizeram no passado. Canta o que as pessoas de carne e osso praticam na vida e, principalmente, praticam no amor. Pessoas de carne e osso são incoerentes. Refratárias aos bons conselhos.

Ser crente de que existe um caminho só funciona para quem precisa ser guiado. Quem é Independência ou Morte, como a Emília do Lobato, oscila.

Às vezes, leio num livro meu ou escuto atores repetindo frases de um roteiro que escrevi e identifico na memória as pessoas que inspiraram aquilo. Todas as minhas fontes vem da rigidez de propósitos alheia. Sou ladra da coerência dos outros.

Na vida real, o mundo é muito chato na coerência.

Até começar a escrever hoje, achei que estava com medo das pessoas coerentes. As que vivem, convivem, falam só com as que combinam com suas ideias, manias. As que exigem solidariedade às suas dores, crenças, dores.

O que me salva é a cafetina de “Viúva, porém honesta”.

“Ah, a senhora deve ser a Mulher Honesta! Não se preocupe, eu também cumprimento mulheres honestas.”

Isso é um lembrete para conviver, mais ou menos, com os coerentes. O que já é uma proeza. Eles não têm culpa de achar que serão poupados da decepção. Não sabem que a decepção é como a raposa de “Fleabag”. Vai aparecer. É a única coisa certa. O negócio é garantir que o colchão, antes da raposa chegar, seja de qualidade.

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