Diário da Peste 5

Margareth Dalcolmo, a infectologista da Fiocruz, está entre meus personagens preferidos nesse período de Peste. Ela, para mim, é a essência do Matriarcado, entendido aqui como Mulheres no Poder. Ela é firme, defende que a situação é grave, que é preciso negociar com todas as lideranças nas favelas e comunidades, e que a única solução agora é o ASSISTENCIALISMO como os mais pobres. Escute, Classe Média e Elite que passaram anos brigando por cada ponto das Políticas Públicas e fazendo o eleitores de otários. O momento é de união, solidariedade e ASSISTENCIALISMO.

Assisti ontem Margareth Dalcolmo duas vezes. Uma, sendo entrevistada por Luciano Huck. Outra pela bancada da Globo News. Na segunda vez, me lembrei de minha orientadora de Mestrado na PUC. Contei para ela, na ocasião, que comprava livros da Coleção Para Gostar de Ler, nos sebos da Praça Tiradentes com dois reais de contribuição de cada aluno das turmas do Colégio Estadual Barão do Rio Branco, onde ensinava Literatura. Ela me respondeu que o ensino não podia de leitura e escrita não podia depender de atitudes heroicas de professores. Precisava existir uma política pública que ensinasse a importância da leitura.

Na época, eu era menos valente em desmascarar falácias. Hoje em dia sei que qualquer trabalho que envolva diminuir a iniquidade social brasileira depende do heroísmo dos profissionais envolvidos.

ASSISTENCIALISMO para mim tem outro nome. Voluntariado. Solidariedade. Devolver ao meu país, ao meu estado e à minha cidade o muito que recebi. Agora mesmo, entrei em contato com a Professora Sandra Carvalho do Colégio Estadual Maria Teresinha (CEMAT) pedindo que fizesse chegar à diretora Adriana Guerra o meu oferecimento de colocar a plataforma de escrita criativa Almanaque da Rede à disposição das 14 turmas de terceiro ano. Com tutoria online.

O CEMAT está fechado. Eu sei ler e escrever o suficiente para viver disso. Os alunos que estão terminando o terceiro ano precisam escrever muito para saírem do Ensino Médio com mais chances no mercado de trabalho. Posso bancar a tutoria online do meu bolso? Se todos entrarem? 600 alunos X 4 redações corrigidas por mês? Talvez, sim. Talvez, não. Mas se faltar dinheiro aqui, sou bem capaz de sair pedindo, por Facebook, Facetime, Whatsapp para que brasileiros de boa vontade contribuam.

Como estou pedindo agora para contribuírem com a CUFA.

Pedir não é vergonha, receber assistência não é vergonha, doar é obrigação de quem tem água encanada e sabonete em casa. Tamos Juntos, moçada!

https://www.vakinha.com.br/vaquinha/ajude-a-cufa-a-ampliar-seu-combate-ao-coronavirus

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