Diário da Peste 7

Segundo Round. Escrevi o pequeno desabafo sobre o morador de rua, às 10 horas, depois de ter realizado seis tarefas alegres desde que acordei às 5:40. Escrevi porque lembrei do coitado se lavando compulsivo e, dessa vez, chorei copiosamente.

Chorar e escrever sobre o que me dói são duas coisas que faço com muita... liberdade. Porque acho chorar sem propósito muito bom.

Chorar com propósito para mim é mais difícil. Do que me lembro, chorei com propósito, lágrimas mesmo, três vezes na vida. Podem ter acontecido outras, mas o choro de manha - especialmente o calundu – era algo impensável na minha infância. Se chorava de dor, de desespero, de raiva. Crianças choravam quando estavam doentes ou quando apanhavam.

Choramingar sobre o leite derramado ainda faço um pouco. Cada vez menos, devo dizer em minha defesa.

Escolhi uma profissão ingrata. A de ser obrigada a cavar todos os dias, na emoção, nas memórias o texto, as histórias que não sejam importantes só para mim. Fragmentos que possam fazer sentido também para os outros.

De tanto chorar nos últimos dias, hoje consegui avançar num projeto infantil que estou escrevendo. Um trabalho que é tipo Lego. Tem que montar pecinha por pecinha. Com a vantagem de que não posso pesar a mão.

Depois, cantei no meu novo brinquedinho sonoro: é o amoooor... que mexe com minha cabeça e me deixa assim....

Infelizmente, não consegui apagar a experiência desastrosa de ontem:...choro até secar a alma de toda a mágoa, depois eu parto pra outra...

Se alguém souber como se apaga no karaokê as besteiras que a gente faz, me avisa. Porque já entendi que a bobagens da vida ficam salvas no servidor. Quando conseguimos acessá-las dá para usar. Caso exista alguma sabedoria da nossa parte.

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