Diário da Peste 19

Ontem, comecei a assistir a série Taken no Prime Video. Eu precisava. É fácil distrair a cabeça com o olho por olho, dente por dente quando estamos no terreno da Ficção. O cowboy não é o Trump desviando aviões na Tailândia com respiradores comprados pela Alemanha. Na série, é fácil entender abater bandidos sem prisão e sem julgamento. Afinal, eles mataram um ente querido do cowboy.

Hoje, de manhã, o Facebook me mostrou uma foto de 2013, eu, a Professora Sandra Carvalho e os alunos campeões Almanaque da Rede daquele ano, na Biblioteca Pública de Niterói. Aí foi que “o barraco desabou” nos meus sentimentos em quarentena.

Porque 2013, foi o ano em que abri mão do Sei Mais Física. Porque 2013, foi o ano em que fui a Brasília assistir o ministro Aloízio Mercadante deslumbrar-se com a Academia Khan. Porque foi o ano em que bati de porta em porta apresentando o Almanaque da Rede, o Sei Mais Física e os magníficos resultados de um projeto feito com meus parcos recursos de dinheiro e mais parcos ainda de sociabilidade. Insistência, insistência, insistência.

Em 2013, eu tinha mais “vela para gastar” do que tenho hoje. Mais força de vida e muito mais alegria. Podia desperdiçar, jogar pela janela, dinheiro e esperança.

Hoje, recordar as portas fechadas na minha cara foi como beber veneno no café da manhã.

Depois, retornei às noites assistindo Rambo e Desejo de Matar com meu filho de dez anos. Eu ria e dizia que meus neurônios estavam escorrendo pelas orelhas. Fazia isso também com as meninas quando assistiam Gilmore Girls. Lorelai e seu feminismo zero empatia com a própria mãe. Sei, eu fui a mãe insuportável, virginiana que não deixa os filhos mergulharem no pensamento único importado dos EUA.

Fiz assim comigo hoje. Parei de fazer a lista de Fundações, Ongs, acadêmicos que não me deram atenção em 2013. O que adianta lembrar os maus feitos de todos os outros (e os meus) se o preço for a amargura e o ressentimento? É dia por dia. Só por hoje, consegui voltar para mim mesma.


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