Diário da Peste 37

Gestão de Futuro

O serviço de streaming Netflix lançou um concurso de argumentos em Portugal. 25 mil euros para os cinco primeiros colocados e seis mil euros para os outros cinco.

Seria muito bom que acontecesse o mesmo no Brasil. Não só a Netflix, mas os outros serviços poderiam fazer o mesmo.

O argumento é a base de tudo. Quem faz bem um argumento, não necessariamente faz bíblia, roteiros, e todo o exaustivo trabalho de uma sala de roteiristas.

Grandes canais ou serviços de streaming costumam ter as produtoras com quem preferem trabalhar. Além disso, costumam preferir seu próprio processo de aprovação de bíblia, piloto, roteiros. Quando não tem tudo isso dentro de casa.

Argumentista é uma especialidade ainda não descoberta no Brasil.

Assim como a de Editor de Histórias.

Minha live de hoje é sobre isso. Porque falta de Gestão de Carreiras criativas, no Brasil.

Existem duas profissões no Brasil, na indústria criativa que exigem apenas experiência de vida, vontade de aprender e empreendedorismo. Além do talento para contar histórias.

São atividades que podem ser exercidas por quem não é privilegiado por cor, classe, instrução superior.

Pode se arriscar como argumentista quem estudar a técnica o suficiente para escrever oito a dez páginas de uma história que só possa ser daquela (s) pessoa (s) e de nenhuma outra.

Pode se arriscar a editor de histórias quem estudar a técnica o suficiente para ler um argumento de filme ou um argumento/bíblia de série e souber identificar onde podem existir novas histórias ou sequencias que complementem e melhorem a principal.

Quem dominar as duas técnicas e tiver tempo para transformar sua vida difícil – de brasileiro que não nasceu privilegiado – em trabalho, não terá problema de grana.

Os cursos da Escola de Séries foram criados no esforço de reforçar os conceitos essenciais das profissões do audiovisual, no Brasil.

Mas acho que talvez devêssemos conversar mais sobre Gestão de Carreiras. Deixar de lado o “bacharelismo” brasileiro que Monteiro Lobato criticava. Há cem anos.

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