Diário da Peste 43

Quem somos, como somos

Hoje falarei, às 16 horas, sobre Mundo Inconfundível, na Live da Escola de Séries. Abrirei com gênero.

Nada mais diferente do que a comédia dramática na década de 40 em Hollywood e a sitcom do século XXI, não é? Ou entre a Hollywood da mesma época, na minissérie e no filme Trumbo, confere? Não.

Nas três obras, de gêneros diferentes, existem personagens fortes. Exatamente o que disse, no debate que Ana Cecilia mediou para o Sebrae-Rio Clarisse, da Conspiração Filmes. Personagens fortes bem inseridos no Mundo deles.

Os personagens, nas obras citadas, fazem a trajetória do herói, independente se perdem as batalhas ou se ganham o Nobel de mentirinha.

Los falangistas no passarán!

Jurad sobre estas letras hermanos: antes morir que consentir tiranos.

Essa frase pintada nos trens que conduziam os brigadistas que lutaram contra Franco é uma boa tradução do Mundo Inconfundível que duraria até Hollywood e, principalmente, até Trumbo.

As duas podem ser vistas como mais uma bravata espanhola. Eu sei como é. Sou filha e neta de espanhóis, tenho a nacionalidade espanhola da qual muito me orgulho. Sobreviver era em si uma bravata.

Os falangistas de Franco passaram. Os brigadistas morreram. Por isso “As telefonistas” e “Trumbo” são dramas.

Na comédia total, é mais fácil navegar no mundo.

Sheldon era desde pequenininho um egocêntrico. Esquisito, porém amado. Por seus inofensivos pais, conservadores, evangélicos, possivelmente republicanos e fundamentalistas. O caldo de cultura que levou ao poder Donald Trump. E isso não está em “The Big Bang Theory” porque isso não tem a ver com o gênero e o Mundo. Não é maravilhosa a consistência da Ficção?

O que, talvez, provoque alguma reflexão sobre o Mundo Inconfundível norte-americano (tão diferente do meu mundo melodramático de origem) é a relação entre Amy e Sheldon. Ou entre Penny e Leonard. As escolhas amorosas também têm relação com o Mundo. É mais ou menos, como se os personagens amassem em consonância com o Mundo que lhe deu origem.

A Ficção existe para confirmar que personagens fiéis a si mesmos rendem histórias.


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