Diário da Peste 49

Pose

Quarta, 1/07, minha live gratuita será sobre Storytelling na TV. Ou sobre Realidade e Ficção.

A série Pose deveria ser adotada nas escolas para jovens. Seus pais deveriam assistir, aprenderiam que no Amor todos têm medo e mentem. Ou se omitem. Somos descuidados quando não cruéis no amor. Temos preconceitos.

Espero que os que me leem aproveitem o embalo e assistiam stand up na TV. É storytelling também. Dave Chapelle. Dana Carven. Chris Rock. Rindo, brincando, fazendo rir, o humorista constrói um personagem, Do contra. Se pais e filhos assistissem ririam mais de si mesmos. E chorariam de remorsos. Lágrimas e risos são melhores do que opressão.

A diferença entre um artista – como Ryan Murph e todos os que participam de Pose – e as pessoas que não trilham o duro caminho da Arte é que artistas não têm piedade por seus personagens. Empatia, sim. Piedade, nunca. O artista que “alivia” os erros de seus personagens, os poupa das consequências não está fazendo arte.

Mentiras, preconceitos, atitudes burras, de maneira geral acabam sempre sendo punidos na vida real. É mais fácil ser punido quando se está em desvantagem, mas ficção que é ficção pune mesmo os grupo do qual os escritores fazem parte.

O restante é propaganda política, é atividade criativa e, às vezes, nobre, sem dúvida. Mas não toca os sentimentos dos que não iguais.

O bacana é assistir heteros, gays, trans fazendo as mesmas besteiras por amor. Isso é transformador.

Além da questão de saúde e das perguntas que a Ficção televisiva levanta para milhões de espectadores que estão no conforto de seus sofás.

É sensato correr o risco de pegar AIDS por que considerar o sexo sem camisinha mais gostoso?

Homens gays desprezarem trans os torna tão preconceituosos quanto os heteronormativos?

Trans não priorizarem a discriminação contra negros engrandece alguém?

“Se a polícia tratasse os trans como trata os negros, aconteceria uma guerra civil em L.A” debochou Dave Chapelle numa piada profética.

Quem entende a ficção pode se tornar um ser humano melhor.

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