Minha fraqueza (ou não) de todos os dias

Padura define literatura como “ofício para mosoquistas infelizes”. Hahahahahaha! Que conceito admirável! Quanta precisão!

Alguém que serviu de modelo para os poderosos ou para os otários nos romances de Padura lê o que ele escreve? Duvido.

Da minha parte sempre achei que escrevo por compulsão e carência extraordinárias. Preciso contar o que vejo, vivo, penso e, o pior, espero que leiam! Claro que poucos leem quando ultrapasso 300 palavras, mas a esperança que leiam alimenta meu masoquismo. “Dessa vez, fulano, beltrano, sicrano vão ler... Depois de ler, vão comentar...”

Patético, eu sei.

Mas, pelo menos, sou carente, compulsiva, masoquista com bom humor. Não fico ressentida de ter o maior trabalho de reescrever Monteiro Lobato, Shakespeare, Mark Twain e não conhecer uma santa alma que tenha lido. Ou de escrever 300 páginas do romance Fronteiras, 50 pessoas aparecerem no lançamento e 45 guardarem o livro na estante sem abrir. E os cinco que leram demorarem dois anos para comentar: “estava para te dizer, Sonia, bom aquele seu livro".

Não foi a literatura, foi o audiovisual que me deu algum savoir faire. Ao ver autores brilhantes com projetos para lá de bons levaram 20 anos, 30 anos para alguém prestar atenção. Às vezes, prestam atenção, mas não produzem. Ou produzem mal. E o ser humano (masoquista) que não sabe viver sem escrever, começa tudo de novo. Como um Sisífo desocupado, com a vida ganha. O pior é que, em geral, a vida não está ganha e depois dos múltiplos afazeres, lá vai o homem ou mulher masoquista colocar no Insta, no FB, no Blog suas contribuições diárias. Ou bater na porta das editoras, das produtoras... Só de escrever já me dá cansaço.

Deixa eu ir ali, usufruir de mais umas páginas de “O homem que amava cachorros” para perceber o quanto “a vida é a resposta à vida”. Howard Fast, em Spartacus, Sonia Rodrigues também é cultura.

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