Ryan Murphy

O que mais levanta meu astral é uma história bem contada. O que mais corta o meu barato é a sovinice e a burrice. Em geral, estão juntas.

Agora de noite ligou alguém que esteve me dando um gelo, há dias, por causa de um limite que precisei colocar. Falei normal sobre “o tempo e as estradas”, mas um pedaço do meu afeto já tinha ido embora. Por que as pessoas são burras? Não entendem que gato escaldado tem medo de água fria?

Mas aí resolvi enfrentar meu preconceito contra Glee depois de, sei lá, 12 anos? E o talento de Ryan Murphy me tirou do buraco um tanto ou quanto mal humorado em que estava.

Penso que fui resgatada pela versatilidade do autor. Capaz de mudar de assunto, mudar de tom com tanta competência.

Mudar exige coragem. É tão mais fácil se agarrar aos padrões de reação rotineiros.

Comentei com um colega de trabalho: hoje em dia, não faço DR nem por sexo.

Esse foi um padrão importante que eu quebrei. Mudança significativa. Minha vida inteira discuti relações. Hoje, isso me parece inútil. Desvantajoso

Lembra uma frase da minha infância: bronca é livre, bronca é arma de trouxa.

Por que eu perderia meu tempo mostrando para as pessoas o que estão fazendo de errado? Deixa quebrar a cara, penso, quando vejo a perpetuação, a falta de senso crítico, o apego.

Só pode ter sido o livro do Padura sobre os crimes da utopia. Tanto desperdício de afeto, tanta cegueira. Não sei como consegui não abrir uma garrafa de vinho. OU fumar um cigarro. Mais duas vitórias. Se continuar assim, vou acabar me tornando uma vencedora em todas as áreas.

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