Olhos verdes

Eu pinto meu cabelo no Leblon, vou a praia no Leblon, talvez devesse passar mais tempo no bairro que me lembra Braz de Pina, pequeninho, gente que se conhece por todos os cantos. Encontrei com minha amiga Cíntia Barreto por lá esses dias. Encontrei porque liguei antes e soube que ela estava na praia. Lendo Lia Luft. Conversamos sobre nosso apego a situações que já deram o que tinha que dar. Apego a situações tóxicas, como casamento falido. Já é perigoso se apegar a um amor que nos deixa, quanto mais ao um casamento que não funciona. Digo perigoso porque nos arrasta para a tristeza, a depressão, a lógica perversa do “onde foi que errei?” Em geral, não erramos, só acabou. Ou melhor, erramos, mas quando alguém está desesperadamente a fim da gente acha engraçado erros, defeitos, tudo de bom e tudo de ruim. Errar não faz a menor diferença quando o amor, o tesão, a vontade de estar juntos estão em alta. A conversa com Cíntia, uma das pessoas mais gentis que eu conheço, me alertou de novo para a perda de tempo que é superestimar ou esperar corrigir o que é original. Tem gente que tem olhos verdes, tem gente que é invejosa Preguiçosa. Vaidosa. Instável. Egoísta. Instabilidade não tem cura, porque não é doença. Assim como vaidade, preguiça, egoísmo. São características. Como os olhos verdes.Ninguém escapa do que é seu. Olhos verdes me lembram Clara Melo escritora super talentosa e divertida que se deu ao trabalho de anotar bobagens ditas por mim em mesa de bar.

Últimos textos
Arquivo