Diário da Peste 46

Gestão de talentos Hoje falarei sobre Sexo na minha live. Mrs. Fletcher, The Deuce e Sex Education. Minha satisfação em fazer lives está relacionada com a possível contribuição aos roteiristas e criativos em geral que me assistem. Desenvolverão projetos para apresentar à Conferência Internacional da EDS? Descobrirão coisas úteis para o seu cotidiano? Minhas lives contribuem, nem que seja um pouquinho, para a gestão do próprio talento de quem me assiste? Penso que tudo na vida é gestão de talentos. Inclusive sexo. Quero dizer tudo na vida de quem não é “espírito de porco”. Aí é que entra minha dúvida sobre sexo pós pandemia. Ou nos próximos dois anos que nos restam de pandemia. Para quem ente

Diário da Peste 45

O Alienista Minha vida inteira convivi com pessoas com um alto índice de estresse pós-traumático, ansiosos, deprimidos, bipolares, adictos de drogas legais ou ilegais, narcisistas. Convivi e convivo tanto com pessoas classificadas assim pelos especialistas que, para mim, esse é o “velho normal”. O que eu aprendi nessa longa convivência? Que ter uma doença/transtorno mental ( de novo, para os especialistas) não nos faz pessoas piores. Outra coisa: reparei que as pessoas com esses diagnósticos que procuravam ajuda e tinham um mínimo de noção do mal que causavam eram as mais legais. Eram, não, são. Porque do meu “velho normal” não existe ninguém curado. Todos, inclusive eu, perambulam por aí, a

Diário da Peste 44

Decisões pandêmicas Se eu escapar incólume da Peste, incólume mesmo, vou mudar de vida. Estou fazendo planos. Secretos. Serem secretos é mais do que mudança. É quase milagre. Se eu escapar incólume, tentarei evitar: Oferecimentos não solicitados. Afetos relutantes. Se eu escapar incólume, procurei mais o sol e menos a sombra. Se escapar incólume, serei mais justa comigo mesma.

Diário da Peste 43

Quem somos, como somos Hoje falarei, às 16 horas, sobre Mundo Inconfundível, na Live da Escola de Séries. Abrirei com gênero. Nada mais diferente do que a comédia dramática na década de 40 em Hollywood e a sitcom do século XXI, não é? Ou entre a Hollywood da mesma época, na minissérie e no filme Trumbo, confere? Não. Nas três obras, de gêneros diferentes, existem personagens fortes. Exatamente o que disse, no debate que Ana Cecilia mediou para o Sebrae-Rio Clarisse, da Conspiração Filmes. Personagens fortes bem inseridos no Mundo deles. Os personagens, nas obras citadas, fazem a trajetória do herói, independente se perdem as batalhas ou se ganham o Nobel de mentirinha. Los falangistas no pa

Diário da Peste 42

Sabe a mulher hetero que lê o poema maravilhoso de Herton Gustavo Gratto - sobre um homem rastejando apaixonado para o Alonso - e se identifica? Sou eu. Ou assiste Mrs Flatcher e bate na frase “imagina se sentir desconfortável na sua pele a vida inteira” e pensa “entendo perfeitamente”? Sou eu. A pessoa que que respeita prazos, responde mensagens, cuida dos interesses alheios sem precisar ser pressionada e fica magoadíssima quando combinam as coisas com ela e não cumprem? Sou eu. Listando essas três fraquezas dá para perceber que hoje estou zangada. Comigo, principalmente. Por ser capaz de entender quem rasteja, por já ter rastejado. Por continuar me esforçando para ser fiel a única pessoa q

Diário da Peste 41

Terapia Nós nos tornamos uma sociedade viciada em terapia. Quer dizer, nós a classe média brasileira. Porque pobre não tem dinheiro para terceirizar mágoas e problemas. Antes que alguém se ofenda, sou a favor de terapia. Só não acho que substitua o ombro amigo. Numa pandemia dessas, não reclamar, não lamentar, não chorar deve ser sinal de alguma coisa. Não sei se boa. Devíamos ouvir mais as guarânias assumidas ou não. São infalíveis para as lágrimas! Encosta sua cabecinha no meu ombro e chora... Conta logo sua mágoa toda para mim... Quem chora no meu ombro, eu juro que não vai embora, não vai embora, porque gosta de mim. A classe média aprendeu com especialistas gringos variados (austríacos,

Diário da Peste 40

Hollywood Essa série mostra como nós contadores de histórias somos mais criativos quando mantemos o foco em nosso único talento. O filme “Shakespeare Apaixonado” já fez isso antes. No mesmo gênero, o de comédia dramática. Artistas matam e morrem pelo seu trabalho. “Hollywood” mostra também como nós, às vezes, perdemos o bonde da História deixando de ter atitudes que façam diferença. Aquela na qual alguém precisa dizer: não faço, chega, não quero isso. Cidadãos/artistas deixam que barbaridades aconteçam por medo de enfrentar quem é misógino, racista, homofóbico. Quando o artista é homo, bissexual ou se submete a fazer sexo para obter um trocado, uma colocação ou um papel, a degradação se ins

Diário da Peste 39

Sucessão Todos os dias, quando constato que alguém que eu amo, gosto ou aprecio está se mantendo afastado da Doença Mental e não foi abatido pela Peste, dou Graças a Vida que tem me dado tanto. Dois sintomas que assustam no risco de doença mental nos dias de hoje. A depressão paralisante e paranoia raivosa. A pessoa para de sonhar, não aceita sugestões para daqui a três meses, não responde ao contato. Passa a procurar briga com a própria sombra, cospe insultos escritos, manifesta que toda divergência “bate” como provocação. Não sou psiquiatra, mas tenho a impressão de que doença mental é contagiosa como catapora, rubéola. Danifica os neurônios como a Covid-19. Isso tudo para dizer que não g

Diário da Peste 38

Na Ficção e na vida Eu já disse aqui a minha opinião de que a vida é feita de Sorte e Circunstâncias em torno do perfil de cada um? E que a Criatividade está condicionada às expectativas, ao repertório de cada perfil? Ou seja, tudo depende de quem faz ou recebe os acontecimentos. Da demissão de um emprego ao casamento com a namorada grávida. Da mensagem de whatsapp à leitura de um livro. Do posicionamento político à escrita de roteiro. De uma cantada a uma briga familiar. Cada um desses eventos depende da expectativa e do repertório dos envolvidos. Ajudar alguém como Anne de Green Gables significa algo completamente diferente de ajudar Lila de “A amiga genial” de Elena Ferrante. Anne tenta

Diário da Peste 37

Gestão de Futuro O serviço de streaming Netflix lançou um concurso de argumentos em Portugal. 25 mil euros para os cinco primeiros colocados e seis mil euros para os outros cinco. Seria muito bom que acontecesse o mesmo no Brasil. Não só a Netflix, mas os outros serviços poderiam fazer o mesmo. O argumento é a base de tudo. Quem faz bem um argumento, não necessariamente faz bíblia, roteiros, e todo o exaustivo trabalho de uma sala de roteiristas. Grandes canais ou serviços de streaming costumam ter as produtoras com quem preferem trabalhar. Além disso, costumam preferir seu próprio processo de aprovação de bíblia, piloto, roteiros. Quando não tem tudo isso dentro de casa. Argumentista é uma

Diário da Peste 36

Amanhã vai ser outro dia... Lembrei hoje – 04 do 05 de 2020, dia sombrio – de uma tarde em que eu voltava da praia, na rua que se chamava Montenegro e uma turma cantava “Apesar de você” na calçada do Veloso que não se chama mais Veloso. Talvez nunca tenha se chamado assim. Apesar de você era o nome da música, amanhã há de ser outro dia era o refrão apenas. Mas eu passei o dia de hoje bem triste, me agarrando a uma encomenda de ficção para não cair do salto da sandália havaiana que usei o dia inteiro. Aí, na hora de dormir, me lembrei do chope que tomei naquele dia. Lembrei até da camiseta amarela e do short de brim rosa que usava por cima do biquíni. E a essa lembrança se juntou aos versos

Diário da Peste 35

Descobri que passo o tempo todo quebrando combinados que faço comigo mesma. O tempo todo passo por cima do meu senso comum, da minha intuição, dos meus valores. Combinado saí barato, por mais caro que seja. Devemos tratar melhor, no balanço de perdas e ganhos, as pessoas que nos tratam bem. A paranoia ou mau caratismo de alguém não se define pelo lado que a pessoa está e sim pelas suas ações. Confiar em quem defende aquele que nos fere é abrir caminho para o desrespeito total. Esperar compreensão, apoio, consideração de algozes é conspirar contra nossa própria sobrevivência. Aqui se faz, aqui se paga. Acredito que seja possível negociar com quem não preenche nenhuma das condições acima, mas

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