Downton Abbey


Estive assistindo a temporada final dessa serie inglesa da qual já gostei mais. Notei que endireito minhas costas quando vejo as personagens e tomei consciência, de novo, da falta total de modos em que estamos mergulhados.

As paixões e fraquezas humanas não mudaram de 1912 para cá. O que mudou foi a maneira pela qual as paixões e as fraquezas se manifestam. Naquela época, manter a “linha” a “elegância” eram valores importantes.

Detesto quando perco a linha, o que acontece cada vez menos. Explico: tive a sorte de conviver com uma pessoa que se comportava mal, mas não perdia a linha e dificilmente era deselegante. Mais, era um primor de auto indulgencia, mas não acusava os outros pelos maus feitos que cometia, nem se fazia de vitima quando eu fazia o inventário de sua má conduta. Era uma espécie de senso de justiça egoísta, porém lúcido. Uma raridade.

Na época, eu, era um pouco como a Lady Edith, queixosa, e um pouco como a Dayse, aquela empregadinha sem noção. Superei esses dois comportamentos aprendidos graças a esse bom exemplo. E graças a Downton Abbey.

Seja egoísta, seja auto indulgente, mas não funcione, além de tudo, no modo vítima, no modo acusador e, ainda por cima, mal educado.

Apronte todas, agüente tiro, porrada e bomba, mas se vingue com as costas retas. Ou perca, se for preciso, mas com as costas retas. Como a Granny.

Como não consigo aprender a auto indulgencia consegui abrir mão de me fazer de vitima e de funcionar na acusação.

Modos, não sei se aprenderei nessa vida o suficiente. Mas já aprendi a ficar longe das pessoas que provocam minha irritação contra comportamentos injustos.

Aprendi muito também com os exemplos femininos de Game of Thrones. Quem sou eu para me queixar da vida quando a Mãe dos Dragões passa por todas aquelas provas?

Pelo menos, não sou uma Catelyn Stark, argh! Implacável, voluntariosa, sem compaixão, cega por sua soberba.

Também não estrago minha descendência como Cercei Lanister. Estou no lucro.

É verdade que uma ou outra pessoa tenta me persuadir de que sou severa, exigente demais. Polêmica.

O que essas pessoas não sabem é que pessoas severas de verdade não escutam esse tipo de critica. Pessoas exigentes demais não aturam imperfeições alheias.

Quanto a ser polêmica, percebo que a palavra “polêmica” nos dias de hoje é usada em relação às pessoas que sustentam uma discussão. O comum é alguém jogar uma opinião na mesa e esperar que todos aceitem para a conversa não desandar. Nisso, as séries não tem me ajudado. Ainda gosto do debate. Talvez eu precise ser mais elegante com a lista de interlocutores.

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