Yes, Mister Carson


Dia 25 de fevereiro começo uma Sala de Roteiristas e estou há dias trabalhando no tema do primeiro encontro: como tirar argumento e escaleta a partir da trajetória de personagens.

Para quem escreve tudo pode servir de início para levantar uma série. Desde que se domine o formato. Imaginação e criatividade não bastam.

Estou revendo Downton Abbey terceira temporada e assistindo, ao mesmo tempo, o final da sexta.

Barrow em é o personagem que apresenta a trajetória mais completa, mais complexa, mais difícil de fazer. Por que ele muda.

Mister Carson, ao contrário, não muda. Ele vai numa direção só e sua teimosia é tanta que só desvia obrigado. Como a fábula do junco e do carvalho.

A Condessa viúva também tem uma trajetória junco por incrível que pareça. É a mais reacionária e lúcida de todos, a pretexto de defender a tradição, e mais humana do que todos os modernos.

O autor da série conseguiu a proeza, raríssima, de falar de outra época do ponto de vista daquela época, não da nossa. No ritmo daquela época, não no ritmo da nossa.

Poucos autores conseguem porque isso demanda uma empatia extraordinária. É muito mais fácil colocar Briseides discutindo a relação com Aquiles, naquele horrível filme “Tróia” do que escrever a sinfonia de reações humanas preconceituosas, antiquadas, mas essencialmente tão parecidas com as de qualquer época.

Estou fazendo um esforço de meditação para dizer Yes, Mister Carson para todas as pessoas que de bom coração que desaprovam por hábito, que são conservadoras por índole.

Quando a filha lhe responde que deu um mau conselho a Mary porque não sabe deixar de dizer o que pensa, Lady Violet responde: mas por que? Ninguém faz isso!

A narrativa é um bálsamo! A terceira melhor coisa do mundo, logo depois de chocolate!

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