Yoga Nidra


Tenho tentado meditar, de verdade, uma vez por dia. Uma meditação ativa que não me faz dormir, ao contrário, me deixa alerta, atenta, consciente. Meditação essa na qual devemos estabelecer propósitos sem usar a palavra Não.

Desejo resistir à vontade de fumar.

Desejo evitar brigas inúteis.

Desejo extinguir padrões reativos que me levam para a tristeza.

Primeiro, pensei em escrever “desejo ficar sem vontade de fumar”, mas isso é impossível. Por que eu deixaria de ter vontade de fumar, uma coisa ótima, deliciosa que faz tão bem para um escritor?

Quanto a evitar brigas inúteis e padrões reativos, faço o que posso. Raramente escrevo no FB sobre política, sexo e religião, convivo o mínimo possível com haters. Porque sou uma pessoa que gosta de entender como as coisas funcionam, o motivo das atitudes e outras perguntas idiotas que a maioria não gosta de responder. Sendo como sou tenho uma longa lista de pessoas devo ficar longe. Só que, às vezes, esbarro em alguma opinião que me tira do sério e caio na tentação de esclarecer. Pronto.

Um dia desses, contei para uma amiga que fui alvo, certa feita, de um bando de haters e que por pouco não morri de desgosto. Não morri, mas as consequências físicas foram imediatas. Eu não coloco isso no FB com nome, rg e cpf. Porque o cultivo do ódio é uma inutilidade.

Li noutro dia a declaração de uma pessoa que condena e combate a meritocracia com veemência.

Eu só acredito na meritocracia. Para mim, a meritocracia e a justiça (pelo menos a divina) caminham juntas.

Fico pensando num exemplo. Numa disputa, tendo com um homem como árbitro ou prêmio:

Sonia Rodrigues, uma mulher que diz o que pensa, escreve o que sente, tem pavio curto e uma longa trajetória de avançar com a faca nos dentes.

E do outro lado, uma mulher habilidosa, não reativa, capaz de guardar seus sentimentos e pensamentos para si.

Quem ganhará a disputa?

A minha pequena experiência de vida indica que a segunda mulher ganha. Por isso, em geral, não disputo com essas mulheres bem preparadas no silêncio e vocacionadas para o territorialismo. Eu desisto delas, do objetivo da disputa e as transformo em personagens.

E se colocarem eu de um lado e um homem que não tolera pensamento independente, nem pobre orgulhosa e auto confiante? Ele ganha. Por assedio moral, demissão, perseguição. Por algum tempo.

Essa é a questão. Porque o mérito, aprendi, sempre vence.

Se uma pessoa sem mérito vence no amor, é porque a pessoa amada não tem mérito de verdade. O amor está mal colocado.

Se uma pessoa com mérito é perseguida, demitida, usurpada por alguém sem honra, sem excelência, sem mérito, é só uma questão de tempo. A Justiça (e o mérito) sempre vencem. Desde que a gente não desista. Isso é o mais difícil.

Uma disputa de trabalho ou estudo só se dá com base no mérito se as pessoas em questão partem do mesmo patamar. Se o ponto de partida é muito baixo (como o caso de milhares de estudantes do Rio de Janeiro que chegam ao final do terceiro ano do ensino médio sem aprenderem frase ou parágrafo) nossa obrigação é contribuir para elevar o ponto de partida. Para que todos possam expressar seu mérito.

Entendo que algumas pessoas têm um buraco dentro delas que as faz odiar grupos ou indivíduos abstratos.

Porque odeiam a quem não conhecem ou a quem não lhes atacou diretamente. Odeiam quem representa o que elas não tem e acham que deveriam ter.

É um pouco como se eu odiasse todos os louros, baixinhos, judeus porque tive um chefe que era louro, baixinho, judeu e abusivo.

Ou odiasse a todas mulheres manipuladoras e sonsas só porque fiquei vendida algumas vezes por mulheres assim.

Ódio, de uma maneira geral, é inevitável quando a gente apanha muito. Cultivá-lo é uma idiotice que não faz bem à saúde. Como posição política conduz ao desastre.

Mas vai tentar convencer um hater disso? Contra o hater, só yoga nidra na veia.

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