All we need is love


É uma frase ingênua, mas foi a única a me inspirar nessa segunda-feira. Porque passei o final de semana pensando sobre como a “gente briga, diz tanta coisa que não quer dizer, briga pensando que não vai sofrer, que não faz mal se tudo terminar”.

Brigar à toa é coisa para idiotas. Muita gente tem motivos para ser idiota, mas ser idiota com razão não leva a lugar algum.

Na época em que eu frequentemente agia e falava como uma idiota não existia Internet. Não era como hoje que é só abrir o FB de alguém ou colocar o nome de alguém no Google e aparecem todas as bobagens que a pessoa disse ou escreveu. Em geral sobre os outros. Idiotas não conhecem o conceito de auto crítica, de auto conhecimento.

A minha desvantagem é que eu sempre escrevi diários. Guardo esses diários. Escritos a mão ou digitados. Então, pelo menos uma pessoa no mundo sabe quando ainda falo ou faço alguma coisa idiota. Eu.

No entanto, meus diários, sendo uma demonstração de minhas fraquezas ou das fraquezas alheias que me atingem, são também uma reserva de justiça. E de inspiração.

Brigar à toa faz com que a gente se arrisque a perder afeto. Não digo perder amor completo, aquele amor de carne e espírito. Sendo uma pessoa “soapy” como sou, penso que Shakespeare tinha razão. Amor que é amor não se dobra às adversidades, incluindo aí as brigas. Brigas podem ser purificadoras. Amor que não resiste às brigas eventuais não é amor de verdade. Aquele que só se realiza na completude que não significa, apenas, cumplicidade. Cúmplices funcionam pela simpatia por causas, objetivos, características em comum. Complementar é o amor sem o qual a gente caminha na vida faltando um pedaço.

Estou aqui falando da briga fria da comunicação usada como forma de poder. A não resposta, o “gelo”, a maledicência, a intolerância, a não aceitação das diferenças. A briga sem propósito.

Hoje, contei para um grande amigo que o maior medo que tenho na vida não é o de as pessoas que usam a comunicação como forma de poder deixarem de gostar de mim.

Meu maior medo é deixar de gostar das pessoas que fazem isso. Eu sou muito boa em deixar de gostar de pessoas. E hoje sou capaz de fazer isso sem brigar.

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