Take for granted

Clemência está acostumada com as pessoas tomarem por certo a compreensão dela. De tanto ler Thejuproject no Instagram, me convenci de que minha amiga está rodeada de pessoas: narcisistas, sádicas ou mal educadas.

Super estimados. Pessoas que se acham as maiorais em suas qualidades e, portanto, Clemência tem que pagar o preço de aguentar a falta de compromisso ou de reciprocidade que demonstram.

Fortões. Pessoas que classificam como fraqueza, masoquismo ou estupidez, Clemência se manter generosa com elas, apesar das grosserias, das contas malfeitas, das pequenas e médias injustiças. Agem com Clemência como os espancadores agem com seus alvos. Bateram porque foram provocados. Bateram porque o outro não reagiu à altura. Não reagiu, é porque gostou.

Mimados. Pessoas que foram acostumadas, desde pequenas, provavelmente, a fazerem, falarem, agirem levando em conta, apenas, os seus sentimentos e vontades. Desejam questionar, questionam. Desejam constranger, constrangem. Desejam bater, batem.

Minha querida Clemência não apanha. Mas outras, pelo Brasil e pelo Mundo, são tratadas com descaso ou crueldade e passam a vida arranjando desculpas para seus detratores ou agressores.

Longe de mim defender a substituição da clemencia pelo “dente por dente, olho por olho”. Acho apenas que por email, whatsapp, telefone, no contato pessoal, à distância ou ao vivo e a cores, alguma reciprocidade pode melhorar o “take for granted” de gente abusada.

Eu disse hoje para Clemência: sabe aquela pessoa querida que nunca toma iniciativa de ligar para você? Passa um mês sem telefonar para ela. A que recebe sua mensagem instantânea, lê e só responde depois de 24 horas? Passa a responder depois de três dias. A que pede nova oportunidade prometendo que vai se redimir e repete tudo de novo? Diga “Não” para os dez próximos pedidos.

Não é retaliação. É descarrego. Desapego. É pagar para ver. Resolução de Ano Novo. Faxina na agenda.

Clemência, Clemência, tenta, em 2019, fazer uma faxina em você.

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