Diário da Peste 12

Ontem, quando cheguei na sala, depois do trabalho, tomei uma taça de vinho assistindo de novo um pedaço de Shaft, o mais recente, e, também de novo, um pedaço de Dana Carven. O do John Lennon conversa com Paul McCartney.

Uma das melhores coisas, nos homens, acho, é quando eles são engraçados. Devo admitir que não tenho sentimentos maternais por homens adultos. Por mais charmosos que eles sejam. Ou mais necessários. Ou mais amados. Ontem assisti, também um pedaço, do Garotas do Calendário, com a Helen Mirren. É uma comédia, com personagens típicos, portanto, mas é tão feminina a preocupação de uma das mulheres, a viúva, com os sentimentos do filho adolescente (babaca) e do marido (que pisou na bola) da amiga que mais uma vez me espantou. Sempre aparece uma mulher achando que os homens devem ser tratados como filhotes. Deve ser para controla-los melhor. Eu não sei fazer isso. Uma pena.

Acordei pensando em Emojis. Resisti muito a usar rsrsrs. Sentia – ainda sinto – que é um insulto à inteligência de quem nos lê. “Olha – pessoa burra – aqui estou rindo, amigável, isso não é uma bronca, não!”. De tanto ouvir pessoas que respeito dizendo “mas, Sonia, email não tem tom”, me rendi. Não sei se adianta. Porque existe uma Sonia dentro de cada uma das pessoas que lê minha mensagem. Nada do que eu faça ou diga vai mudar essa filtragem.

Peste e Quarentena depois de quatro anos de polarização extrema podem piorar a falta de percepção em relação à filtragem. Quem estou ouvindo? Uma pessoa que foi generosa lembrando do quanto batalhei pelo Almanaque da Rede e de que agora a plataforma está pronta para ajudar à escola pública parada? Ou às dezenas de pessoas que fizeram de conta não escutar quando bati na porta? Porque tem isso também. A escuta e a leitura vão sendo contaminadas, dentro de nós, pelo que as pessoas falam e fazem. No plural.

Vejam, que eu tentei começar leve esse diário. Minhas dúvidas, porém, sobre como as pecinhas de Lego que somos, falam mais alto. Rsrsrsrs.

Últimos textos
Arquivo