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Amor em segredo

Eu tenho um livro – talvez meu décimo segundo livro - publicado há 18 anos – sobre amores e dores. São crônicas autobiográficas. Está esgotado em papel e pode ser comprado no Kindle. Porque não tolero a ideia de deixar esse e outros meus apagados no cemitério dos livros esgotados.

Hoje, minha prima Angela Rodrigues, leu o livro e destacou um trecho: “posso amar meu pai porque não sou mais vítima do que ele não foi capaz de resolver”.

Escrevi “Amor em segredo” para as pessoas que não entendiam os motivos de eu lutar para manter viva a obra do meu pai.

As pessoas pensam – e eu pensava assim também na época – que ser bastarda era a pior coisa. Não. A pior coisa é ser tratada com condescendência e com injustiça.

O problema de ser considerada uma pessoa desamparada é que corremos o risco de nos tornarmos alguém que “se vende por um olá, um bom dia, um como vai”.

A incompreensão de que somos herdeiros da nossa origem é o que nos torna presa fácil dos malévolos que acreditam que as mães deles não faziam sexo e que os pais não tinham uma “dona no Grajaú”.

De lá para cá fui traída, ignorada, esnobada muitas vezes. Inclusive pelo homem a quem dediquei o livro.

Eu não me envergonho de ter amado em segredo um homem que não combinava comigo, como minha mãe não se envergonhava de ter amado meu pai.

Vergonha é não ser capaz de amar. Vergonha é ser injusto, carregar nas costas cadáveres para poder acusar os pais pelos nossos erros.

“Podemos ser piores, mas não somos iguais a ninguém”.

Como diria um desafeto: Sonia Rodrigues é muito arrogante. Talvez eu seja arrogante, mas lutei para poder ser o que sou hoje. Talvez ser arrogante seja um pecado menor do que ser hipócrita ou covarde.


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