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White Lotus


Maratonei a segunda temporada da série ontem. Muito boa.

Duas coisas que a série me ensinou do ponto de vista ético:

Mulher que aceita sexo por sexo não pode ser vulnerável. Precisa usar sexo sem conexão emocional como forma de manipulação, como instrumento de poder, no mínimo como meio de sobrevivência. Se não, dança.

A vaidade é a pior forma de cegueira. Precisar de concordância, de aplauso, de aprovação incondicional é coisa de quem tem vocação para otário. Quer seja uma esposa bem comportada ( e mal comida), quer seja um jovem herdeiro cevado pela perniciosa ideologia do politicamente correto (frase maravilhosa do avô italiano para o pai do rapaz: você gastou uma fortuna em Stanford para fazerem lavagem cerebral nele).

Três coisas que a série me ensinou do ponto de vista estético:

Sexo, dinheiro e vigarices variadas podem funcionar como “testes” para personagens fazerem ou não a trajetória de herói de si mesmos, provarem se são canalhas completos ou se têm alguma salvação. “Você é mais esperta do que eu, não aja como estúpida” diz o bissexual que usa o corpo como meio de vida (ou de morte).

Falas e ações dos personagens devem funcionar como medida de dialogismo da obra, sem precisar explicar a moral da história, coisa que o politicamente correto nunca conseguirá alcançar. A cena dos três homens da mesma família virarem a cabeça quando passa uma jovem bonita mostra mais sobre a natureza humana do que discursos vazios. Da mesma forma, como a sequência da jovem prostituta comemorando sua armação. Ou a mulher que usa o adultério como forma de vingança contra o cretino fundamental. Ou a do homem que só volta a ser potente – masturbação com pornografia não conta – quando aprende a dedurar e a mentir.

Cenas de marcação dramática podem ser bem assustadoras com a natureza selvagem e as máscaras de outras épocas.

Eu me sinto tão consolada por aprender com a máquina storytelling em vez de depender só dos seres que fingem ser o que não são. O tempo todo.

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