Leveza não é escolha

Uma adolescente de 14 anos e a mãe de 37, ambas suburbanas, visitaram uma tia avó muito simpática na Zona Sul. Sem avisar. Foram recebidas com festa pela tia e pelas primas (da mãe), se colocou discretamente mais água no feijão, histórias divertidas alegraram o almoço. A tia não perguntou porque a sobrinha aparecia ali depois de tantos anos sem dar notícias. A sobrinha não informou que estava ali para pedir ajuda. A despedida foi calorosa como a recepção. Leve. Quando saíram, a mãe virou para a filha e disse: não temos para onde voltar. E o destino seguiu adiante, porque as pessoas que não têm para onde voltar, às vezes, conseguem seguir em frente, por mais que a vida dê voltas. Depende das

Cadeia e Hospício

Sou brasileira, com muito orgulho, com muito amor. No entanto, acho, no mínimo, intrigante a nossa hipocrisia ou falta de lucidez. Nós somos contra hospício, mas somos indiferentes à sorte de milhares de pessoas com problemas psiquiátricos variados que apodrecem nas cadeias brasileiras. Sim, porque um jovem que rouba numa semana, quase morre num linchamento e na semana seguinte é pego de novo roubando, é compulsivo, não é mesmo? Ou, pelo menos, se fosse branco de classe média a família o levaria num psiquiatra. Um dos mortos em Roraima estava preso por não ter cumprido a pena alternativa. Foi classificado pela irmã como cabeça de vento, maria vai com as outras. O que a classe média faz com u

Merli: a série

A onipresente Netflix tem duas comédias juvenis, seriadas, feitas na Europa, no ar. A catalã Merli e a dinamarquesa Rita. As duas demonstram as diferenças culturais entre Europa e os Estados Unidos, país de origem da Netflix. E, para minha tristeza, demonstram o quanto nós, no Brasil, precisamos estudar mais. A professora protagonista da dinamarquesa fuma, faz sexo, é politicamente incorreta e consegue fazer os alunos aprenderem. Merli, a catalã, é a prova viva de que roteiristas não podem ser ignorantes. Outras profissionais talvez sobrevivam sem conhecer o geral/essencial do seu objeto de trabalho, sem repertório. Um roteirista, não. Nas mãos de um roteirista que não domine a diferença

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