Mulheres poderosas

Assisti a um episódio de série que trazia a história de uma mulher velha, negra, pobre, mãe de uma mulher negra, rica, poderosa. A mãe, quando estava grávida dessa filha, comprou uma casa. Pobre e simples como ela. Um dia, um irmão chegou sem ter onde ficar. “Não se diz não para família”, pensando assim a mãe decidiu abrigar o sujeito. Uma madrugada, ela acordou e ele estava saindo do quarto da filha. No mesmo instante, ela soube o que havia acontecido. No dia seguinte, mandou os filhos para a casa da irmã e quando o irmão dormiu, como sempre bêbado, como sempre fumando, essa mulher, em vez de apagar o cigarro dele, como havia feito em outras noites, tocou fogo no uísque. E a casa ardeu até

Desnecessária

Que você não precise de mim Que você viva bem casa boa grana amigos que seus dias sejam cheios suas noites calmas Que seus cabelos estejam macios e suas mãos ocupadas que as tardes de domingo te encontrem tocando guitarra E que você me queira por nada por tudo porque sim Seja eu aquela não a que supre mas a que enfeita não a necessária mas a desejada Que você me eleja que você me escolha seja eu aquela sua preferida Que você me queira Que você me queira Que você me queira Disse Maria Rezende e sua adorável poesia em Carne do Umbigo. Belo livro.

Meu herói sou eu

Flaubert escreveu: Mme Bovary c' est moi. Ando pensando muito sobre quem realmente importa. Os que nos ferem? Os que nos ignoram? Os que nos amam? Os que nos passam para trás? Os que podem nos dar coisas boas? Os que podem nos punir? A pessoa que realmente importa, para mim, é aquela que consegue ser herói de si mesma. Muitos passam pela vida como: coadjuvante, juiz da vida alheia, claque, vítima kamikaze, algoz kamikaze, massa de manobra, bucha de canhão, idiota praticante. Nove papéis possíveis para qualquer personagem. Eu sei. Já representei todos. Existem também os que passam pela vida se achando esperto, achando que a casa nunca vai cair em suas cabeças. Esse papel me orgulho de não te

Os que fracassam ao triunfar

Sábado, no Largo do Machado, a caminho do Metrô, fiquei dez minutos convencendo uma mulher de classe media, média, a não chamar a polícia para um jovem negro, provável morador de rua, provável drogadicto que estava olhando para as bolsas das mulheres quando elas passavam. A mulher, bem mais nova do que eu, estava imbuída da defesa de outras mulheres, prevendo que a qualquer momento, ele tomaria o dinheiro de alguma companheira de gênero (ô, galera que entende das coisas, veja se está bem colocada a palavra, por favor). Eu fui acalmando a pessoa até ela desistir de chamar a polícia preventivamente. Aí, eu precisei passar pelo cara que, meio tonto, me disse: senhora, pode me dar um trocado pa

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